11/26/2011

Yelawolf em entrevista exclusiva ao HipHopDX


Yelawolf nos recebeu para essa entrevista no quarto 812 do Manhattan’s Dreams Hotel. Ele gastou o dia anterior em Bronx para gravar o vídeoclipe de Let’s Roll.

Yelawolf descreve como foi passar o tempo com Kool Herc e Kid Rock.

HipHopDX: Eu sei que vocês tiveram uma longa noite ontem. Eu ouvi que você e Kid Rock estavam juntos.

Yelawolf: A noite passada foi uma daquelas noites que eu vou levar comigo para sempre. [...] Eu mudei depois de ontem no sentido de que eu achei um outro nível de humildade que eu não sabia que existia. Tipo, eu sempre me considerei humilde no sentido de respeitar as pessoas. Ontem fiquei mais humilde ainda. Quando alguém em volta de você que ‘pavimentou’ a estrada para você... Kid Rock definiu essa estrada em vários caminhos: Culturalmente, e toda a sua evolução. Mas ter ele e o [DJ] Kool Herc no banco traseiro, só zoando, sabe? A conversação. Eu tentei mergulhar nela. Eu queria que eu tivesse algo gravando aquilo. Isso é só uma memória que eu posso compartilhar com as pessoas. Isso não foi gravado, mas eu queria que fosse, mano.


Yelawolf fala sobre quando se tornou um fã de Hip Hop na infância.

DX: [...] Isso foi quando você teve seu primeiro disco do Run DMC e do Beastie Boys.

Yela: Isso. O Run DMC fez aquela turnê ‘Walk This Way’. E aquilo foi parar em minhas mãos, mano. [...] Pra mim, aquilo foi o destino. Aquilo estava lá apenas pra mim. Fora isso, quando eu realmente comecei a apreciar a música, eu tinha me tornado um skatista muito cedo. E por isso eu estava numa área onde só se ouvia Rock clássico, Country, e muito pouco Hip Hop. E não havia ninguém para dizer que aquilo era chamado Hip Hop. Eu sabia que a música soava diferente, mas eu não sabia definir o que eu estava ouvindo. Eu só estava deixando aquilo tocar. Aquilo também foi uma benção: A inocência de amar uma música antes mesmo de conhecer o que realmente era aquilo.

DX: Você havia dito uma interessante piada sobre aquilo. Você estava escutando ‘Paul Revere’ do Beastie Boys e pensava que aquilo era apenas outro tipo de Rock.

Yela: É, eu nunca havia escutado esse tipo de música antes. E se eu tivesse escutado ‘Kraftwerk’ antes disso, ou ‘The Cars’, ou se eu tivesse escutado qualquer outro tipo de batida, não iria me interessar. Aquilo não iria me interessar como fez o Beastie Boys. Aquilo era, com certeza, estranho. Eu pensava: ‘O que é isso? Como eles... O que é isso?!’ Tipo: ‘Que instrumento era aquele?! A porra de um didgeridoo?!' [Risadas] Não, eu não sabia que porra era didgeridoo quando eu era a porra de uma criança, mas o ponto é que eu não sabia identificar aquilo, mas eu amava. Eu sabia que era uma grande música. E cedo ou tarde viria o julgamento por amar aquilo - Sabe, sem intenção ou algo parecido – Meu amor pela cultura me colocou na estrada e me fez fazer decisões em minha vida.

Yelawolf fala sobre pessoas que o influenciaram a ser um MC.



DX: Nós nos falamos brevemente em um evento do The Roots esse ano. Você se apresentou naquele dia. E antes de entrar, você estava na área da imprensa andando de skate e fazendo manobras, e eu tive a chance de te fazer três perguntas: Uma das perguntas, eu perguntei se você queria se aproximar do Hip Hop em um ponto competitivo. Você disse: “Quando eu fiz ‘Trunk Music’ eu senti que eu devia provar meu valor como um rapper, porque eu realmente nunca tinha trabalhado duro naquilo, porque eu era um compositor. Sendo um MC, fazer wordplays era questão de prática por muitos anos. Mas o ponto pra mim é fazer boas músicas. Você está mais interessado no artista e não na sua capacidade lírica.”. Na época, eu não tinha certeza sobre o que você queria dizer com aquilo, porque Trunk Musik e Trunk Musik 0-60 era liricamente competitivo. Mas depois ouvindo Radioactive, a vibe é a composição. Você falava (Em Radioactive) sobre condições econômicas do Sul; você falava sobre diferentes tipos de relacionamentos que você teve; você falava sobre sua história com a música. Você se aprofundou em contar histórias.

Yela: Eu não fui abençoado com a rapidez de raciocínio do freestyle. Eu não consigo pensar em algo brilhante pra falar em segundos. Eu tenho que pensar no que estou fazendo. Eu sempre evitei isso, pelo motivo que “Eu não quero dizer algo idiota agora.” Havia uma época em que eu fazia umas rimas com uns amigos, improvisando. Eu cresci querendo fazer isso. Eu escrevia algumas rimas em um caderno, mas eram apenas rabiscos. Aquilo não tinha significado. Não tinha. Eu lembro do que eu tentava criar, e pensava: “O que porra eu estava pensando naquela hora?!” O que eu percebi, era que eu estava praticando wordplays e aprendendo em como juntar sílabas e rimar, e tentar descobrir metáforas. [...] Sobre as batalhas e a Cypher, aquilo nunca estava em minha volta quando eu estava crescendo. Não estava. Não havia lugar para aquilo.

[...]

Tudo o que eu acabei de dizer foi sobre querer crescer como um adulto levando a melodia das influências do Rock Clássico, e a simplicidade da música Country. [...] Eu realmente quero causar impacto com minhas músicas. Mas não é sempre dessa maneira. Há hora pra fazer festa e se divertir escrevendo uma música. Eu tenho uma música em Radioactive chamada “Animal” em que eu só fui lírico. E eu tenho uma música chamada “The Last Song” que é muito pessoal, uma música bem simples sobre meu pai. Tem a hora de se divertir e também tem a hora de ser sério. Pra mim, é tudo sobre descobrir o equilíbrio. O que funcionou pra mim não vai funcionar pra mais ninguém novamente na história, do mesmo jeito que funcionou pro Eminem, nunca mais vai funcionar para outra pessoa. Você tem que descobrir seu próprio espaço, mano. Esse é o desafio e a beleza disso tudo. O que estou fazendo, nunca mais será feito novamente. Agora estou começando a descobrir isso. Eu sinto que eu finalmente tive a oportunidade de abrir minhas asas com Radioactive. Eu estou provando que consigo fazer rap. [...] Liricamente, nada mais me impressiona. Dificilmente. Marshall fode com minha mente, o Slaughterhouse inteiro... E há poucos MCs por aí que... ‘Pharoahe Monch’ sabe o que estou dizendo? Busta RhymesTwistaTech N9ne. Eles me fazem pensar: “Mas que porra?! Isso foi insano!” Mas ainda sou mais interessado em músicas que contam histórias. Minha música favorita de Watch The Throne é New Day, aquela sobre a criança que não nasceu. [...] Minha música favorita do Marshall é ‘The Way I Am’. Você também fica louco ouvindo ‘I’m A Soldier’. Mas ‘The Way I Am’‘Stan’ são músicas realmente fodas.

Então, eu tenho a apreciação. Eu amo quando MCs são líricos. Mas o que é atrativo pra mim, é apenas música boa, mano. E isso para o Hip Hop, música Country, Rock & Roll, ou para qualquer outra porra. Eu apenas gosto de música boa.

Fonte: HipHopDX
Créditos pela tradução: Sérgio M.

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